CAUSAS NOBRES SE SOMAM, NÃO SE EXCLUEM!

Na última sexta-feira, 26 de Junho, de 2015, ocorreu a aprovação do casamento gay… nos Estados Unidos. Por aqui, foi o dia de colorir a foto do perfil do Facebook com as cores da bandeira LGBT. Apesar da distância, o movimento virtual no Brasil fez sucesso.
Como é comum, muitos dos que atualizaram a foto talvez o tenham feito apenas porque “todo mundo tá fazendo”, porém, prefiro acreditar que a maioria estava participando do ato, porque de fato, reconhecem a importância do assunto. Também espero que outros tantos que, como eu, não atualizaram a foto, estejam contentes com o fato, independente da “orientação sexual”, afinal, é um grande passo para diminuir a homofobia e, consequentemente, os casos de violência e desrespeito.

É claro que há o outro lado: alguns compartilham a imagem de uma menina desnutrida, aparentemente, em condições miseráveis, com uma frase defendendo que quando houvesse um movimento para combater a fome, a pobreza ou alguma coisa “relevante” como estas, estaria disposto a participar. Entre alguns dos comentários destas imagens, colorir as fotos era perda de tempo e exagero, pois agora “todo mundo tem que ser gay”, que daqui a pouco, será crime ser hétero… Oi?

A minha sugestão para essas pessoas, para todos na verdade, mas, especialmente para as pessoas que não entenderam nada do movimento e o consideram exagerado, desnecessário ou coisa parecida: assistam ao filme O Jogo da Imitação (The Imitation Game). Ele fala sobre guerra, tecnologia, física e, sobre duas pessoas que por sua “classificação sexual” tiveram dificuldades para realizar o que queriam: um homossexual, Alex Turing e uma mulher Joan Clarke (é minha cara, você que achou inútil o movimento do Facebook, também sofreu muito para ter direitos na sociedade por ser mulher. E o que é pior AINDA sofre!!)

Em linhas nem tão gerais assim (tem spoiler):

Alex Turing (Benedict Cumberbatch) é um físico que, junto com uma equipe, desenvolve uma máquina capaz de decodificar as mensagens nazistas no período da Segunda Guerra Mundial e, de certo modo, escolhe quais bases seriam atacadas ou salvas. Dessa forma, o exército nazista perde a Guerra para os oponentes.
Segundo pesquisas, a descoberta de Turing colaborou para que a 2° Guerra durasse dois anos a menos e salvasse milhões de pessoas, além de ter dado os primeiros passos para uma inteligência tecnológica que hoje chamamos de… computador. Gênio não é?!

Sim, ele era um gênio, porém, ele era gay e na década até 1967, ou seja, passando pela época em que tudo isso acontece, a homossexualidade era crime na Grã-Bretanha, por isso, mesmo após colaborar com a vitória do país e parte de mundo com a invenção dele, Turing foi condenado por Indecência. Detalhe: as poucas relações que ele teve, pelo que demonstra no filme, eram praticamente secretas.

E onde entra a mulher? Joan Clarke (Keira Knightley) era estudante da Universidade de Cambridge e foi extremamente importante para a decodificação das máquinas Enigma. Ela era a mulher por trás de Alex Turing, além de grande amiga do matemático. Conseguiu entrar para equipe após ter realizado uma prova, em que desbancou todos os demais marmanjos que lá estavam. Apesar disso, por ser a única mulher em uma equipe masculina (além de Turing, havia outros 3 pesquisadores), só teve autorização dos pais para participar do projeto por mentir, dizendo a eles que trabalharia com uma equipe feminina (na área de secretária, algo assim). De fato, ela trabalhou e morou numa região exclusiva para mulheres, mas não foi para esta área que ela foi passou no teste.

Outra coisa: ela quase teve de abandonar o projeto no meio, pois estava com 25 anos e não tinha um noivo (!!!).
No fim das contas: ela consegue participar até o final, mas nunca levou os devidos créditos. Turing, após condenado, é impedido de acompanhar estudos sobre computadores, ao invés de escolher a prisão, ele opta pela castração química, uma espécie de “cura gay”, tomando medicamentos que alterassem os hormônios e inibisse a homossexualidade.

Os fatos além do filme: dois gênios, um homossexual e uma mulher são, cada um ao seu modo, condenados por serem apenas um homossexual e uma mulher. Ela só conseguiu chegar até onde chegou por mentir, por ter o apoio masculino de quem, mais tarde, seria condenado já que para a sociedade da época, não era homem o suficiente.

Infelizmente, isto não está tão longe da nossa realidade, por isso, apesar de parecer desnecessário, a “coloração gay” tem, sem dúvida a sua importância, já que como sabemos (apesar de muitos não acreditarem) a sua classificação sexual (homem, mulher, hétero, homo, gay, assexuado…), não determinam o ser humano que você é, muito menos capacidade intelectual e moral de ninguém.

Sendo assim, o ato simbólico de colorir as fotos deveria servir de exemplo, não só no mundo virtual, mas também nos discursos do dia-a-dia, para que outras conquistas aconteçam, seja pelo combate à homofobia, ao racismo, pela inclusão social, pelas mulheres, pela intolerância religiosa, para que todos possam viver melhor. TODOS, e não para que uma causa elimine a outra.

Felipe M. Caldas

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